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Por que deixar o dinheiro aplicado por mais de dois anos muda tanto o resultado

Por Willian Rodrigues da Silva · Publicado em 19 de setembro de 2026 · 2 min de leitura

Quando você aplica em um CDB, o banco anuncia uma taxa e você imagina que vai receber aquilo. Só que entre o rendimento anunciado e o dinheiro que cai na sua conta existe o imposto de renda, e ele não é fixo: quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menor a alíquota.

Como funciona a tabela

O imposto incide apenas sobre o rendimento, nunca sobre o valor que você aplicou, e segue quatro faixas conforme o prazo:

  • Até 180 dias: 22,5%
  • De 181 a 360 dias: 20%
  • De 361 a 720 dias: 17,5%
  • Acima de 720 dias: 15%

O desconto acontece no resgate, e não ano a ano. Enquanto o dinheiro está aplicado, ele rende sobre o total, inclusive sobre a parte que um dia virará imposto.

Quanto isso pesa na prática

Suponha R$ 10.000 em um CDB que paga 100% do CDI, com o CDI a 13,65% ao ano. Resgatando com cinco meses, o rendimento bruto seria de cerca de R$ 590, e o imposto de 22,5% levaria aproximadamente R$ 133. Sobrariam R$ 457.

Agora o mesmo valor deixado por 25 meses. O rendimento bruto sobe para perto de R$ 3.060, e a alíquota cai para 15%, o que significa R$ 459 de imposto. Sobram cerca de R$ 2.601.

Repare no que aconteceu: o prazo foi cinco vezes maior, mas o valor líquido ficou quase seis vezes maior. A diferença extra vem justamente da alíquota menor.

O detalhe que quase ninguém percebe

Se você está perto de cruzar uma faixa, esperar alguns dias pode valer mais que o rendimento desses dias. Um resgate no dia 355 paga 20% de imposto; no dia 361, paga 17,5%. Em um rendimento de R$ 3.000, isso representa R$ 75 de diferença por causa de seis dias.

Por isso vale conferir a data da aplicação antes de resgatar. É um dos poucos casos em que a paciência tem preço calculável.

E a LCI, que não paga imposto?

LCI e LCA são isentas de imposto de renda para pessoa física, e é por isso que costumam pagar um percentual menor do CDI. Uma LCI de 90% do CDI pode render mais que um CDB de 100%, dependendo do prazo. Quanto mais curto o prazo, maior a vantagem da isenção, porque é quando a alíquota do CDB está no seu pior nível.

A contrapartida é a carência: esses títulos costumam travar o resgate por um período, então não servem para reserva de emergência.

Um aviso sobre mudanças na lei

Houve uma tentativa de substituir essa tabela por uma alíquota única de 17,5%, mas a medida provisória perdeu a validade sem ser aprovada. A tabela regressiva continua valendo. Como esse tipo de regra muda de tempos em tempos, vale conferir antes de decisões grandes.

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